sexta-feira, 25 de março de 2011

Brasil: uma potência sem leitores?

Um país se faz com homens e livros, vaticinou há décadas o escritor Monteiro Lobato, autor de obras como o “Sítio do Picapau Amarelo” e símbolo de lutas nacionais como a campanha do “Petróleo é Nosso”. Quanto aos “homens”, públicos, a quem ele se referia, temos para todos os gostos (inclusive os maus). No tocante ao quesito “livros”, o cenário é extremamente negativo. Pesquisa do Movimento Todos pela Educação, com base em avaliação internacional, revelou que os estudantes brasileiros tem poucos livros em casa. De 70 países analisados, a nova “potência” dos trópicos ficou em 43º lugar, atrás de países como a Albânia e o Azerbaijão.
Quatro em cada dez estudantes tem de zero a dez livros em casa no Brasil, país que ficou em 53º lugar no exame. Enquanto isso, 36,8% dos alunos de Xangai, província chinesa com o melhor rendimento nas provas, tem de 25 a cem livros. Apenas 10% dos estudantes de lá tem menos de dez livros. Países como a Coréia do Sul e a Finlândia foram muito bem na prova. A maior parte de seus estudantes lê bastante.
Ter acesso a livros não é o único pré-requisito para resolver problemas de aprendizado mas ajuda muito. Há outros fatores que interferem no problema como qualidade da escola, motivação do professor e grau de estudos dos pais. O investimento em leitura no Brasil ainda é muito pequeno, embora tenha melhorado um pouco nos últimos anos. Pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vagas, em 2010, indica que o Brasil tem poucas bibliotecas e elas estão mal distribuídas regionalmente. Na Paraíba, a maior biblioteca, do Espaço Cultural, passou anos fechada. João Pessoa, segundo a pesquisa, é a única capital que ainda não possui biblioteca pública municipal aberta.
Precisamos fazer com que nossos jovens tornem-se leitores. Mais bibliotecas, barateamento dos livros, distribuição para alunos da rede pública, formação de leitores, melhoria da alfabetização de nossas crianças são algumas das ações necessárias e que impactam muito sobre nosso nível educacional. Enquanto tais ações não ganharem a proporção necessária no Brasil, a sentença de Lobato não passará de uma quimera.

Publicado no jornal Correio da Paraíba em 17 de março de 2011.

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