domingo, 28 de agosto de 2011

Paraíba faz educação?


O Governo do Estado anunciou na última segunda com todas as pompas e circunstâncias um plano chamado “Paraíba faz Educação” visando melhorar o ensino oferecido pela rede estadual. Presentes ao evento o governador, secretário de educação, gestores municipais, diretores de regionais de ensino, dentre outros. Ausente: o Sindicato dos Trabalhadores em Educação – SINTEP, que representa aqueles que vão aplicar o plano, ou seja, os professores. Nada mais sintomático.

O “plano” apresenta metas e objetivos através de ações em áreas abrangentes com nomes pomposos, a exemplo de “Educação em Expansão”, “Educação em Movimento”, “Educação Exemplar” e “Educação Cooperada”. Estão previstos programas que visam criar milhares de vagas em educação profissional, alfabetização e pré-vestibular, novas salas, dentre outras medidas. É claro que a maioria das ações parte de estratégias e recursos advindos da esfera federal. Mas, não se pode, é verdade, criticar o governo por dar boas notícias, até porque é isso que dele se espera.

Mais instigante que as medidas anunciadas foi a entrevista do líder girassóico anunciando “contrato de gestão” entre o governo e diretores para melhorar o desempenho escolar. Estes terão que se comprometer com metas de desempenho, o mesmo que planeja o governo quanto à remuneração dos docentes, submetida também a lógica produtivista, em que ganhará mais quem aprovar mais gente.

Mas quem executará tal política gerencial e “eficiente”? Das 1.036 escolas do estado, em 400 delas não há um único professor efetivo. Os vários milhares de prestadores de serviço recebem bem abaixo do piso salarial nacional. Pouco mais de 1.000 mestres concursados estão prestes a se aposentar, exatamente os poucos que se pretende substituir com uma seleção praticamente simbólica, recentemente anunciada.

Com um magistério insatisfeito, com trabalho precário, baixos salários, carreira desmotivadora e a total falta de condições de trabalho, que educação a Paraíba fará nos próximos três anos e meio? Uma educação “boa” ou de “faz de contas”?

Publicado no Correio da Paraíba em 25 de agosto de 2011.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

De volta a 1755?


O ano era 1755, quando as capitanias da Paraíba e do Ceará foram anexadas à Pernambuco. Daí até 1799 nossa terra perdeu sua autonomia administrativa, passando a se submeter à estrutura de poder da capitania vizinha.
Segundo os historiadores, a motivação do fato pode ser encontrada em diversos fatores, especialmente a crise da nossa produção açucareira (e o enfraquecimento político da elite litorânea) e os interesses dos criadores de gado do sertão, sedentos por mais poder e riqueza. Buscava-se também o barateamento do escoamento da produção, que se realizava através do porto de Pernambuco, acarretando o pagamento de taxas alfandegárias no cruzamento das fronteiras entre as capitanias. Acreditava-se que a utilização da infra-estrutura vizinha nos traria vantagens comparativas.
Atualmente assistimos determinados debates político-administrativos nas terras tabajaras que nos lembram (com bastante preocupação) o episódio citado acima. Já durante a campanha de 2012 o chefe de nossa “capitania” cerrou fileiras contra a proposta de criação do chamado “porto de águas profundas”, taxando-o de obra faraônica, chegando a defender o aproveitamento da infra-estrutura portuária pernambucana, situada há poucas centenas de quilômetros, enquanto nosso acanhado porto em Cabedelo padecia. Agora mesmo teve suas obras de dragagem paralisadas
Esta semana, nosso líder comemorou publicamente (e para espanto geral) a instalação de uma fábrica da FIAT em sólo vizinho, como se fosse uma grande vitória para nós outros. Junto com este investimento, os pernambucanos entabulam a construção de um aeroporto em Goiana, a uma hora de nosso pólo turístico, ameaçando a viabilidade de nosso campo de pouso.
O que preocupa mesmo é a quase total falta de ideias da nossa atual elite dirigente quanto aos rumos da Paraíba. Chego a temer que se torne verdadeira a pilhéria que anda sendo espalhada por venenosos oposicionistas de que só faltaria mesmo agora substituir o “nego” de nossa bandeira pelo escudo do Sport Club do Recife.

Publicado no Correio da Paraíba em 12/08/2011.