terça-feira, 25 de outubro de 2011

PRESENTE DE GREGO


No último dia 15, data em que os professores esperam sempre por boas notícias, eis que os profissionais paraibanos são surpreendidos com um anúncio feito pelo governador Ricardo Coutinho, que lhes deu um presente inusitado: mais trabalho. Isso mesmo, ao invés de cercar os mestres com mimos típicos de datas comemorativas, nosso líder informa que, sem aumentar salários, melhorar a carreira, desprecarizar as relações de trabalho e estabelecer jornada adequada, vai estabelecer metas que os já sacrificados educadores terão que cumprir. Professores de cem escolas que atingirem tais metas ganharão um pedaço de 14º salário, que deverá representar anualmente R$ 300 ou R$ 400 reais a mais nas suas finanças. Sem dúvida, uma dinheirama!
O governador põe em prática a máxima que anunciara em fevereiro de que chegou a hora de “fazer mais, com menos”. Para tanto, os vários milhares de PS’s que dão aula sob as piores condições possíveis, junto com os poucos concursados, terão que se tornar “eficientes” e promover uma “educação exemplar”, cumprindo metas e sendo avaliados pelo “Sistema de Avaliação Educacional da Paraíba”, a ser criado.
Coutinho impõe a pior política educacional disponível, produtivista ao extremo, apostando que ao arrochar o já desestimulado professor, conseguirá arrancar dele a excelência. O mago reproduz um neoliberalismo vulgar, que já está sendo abandonado em alguns lugares. Em São Paulo mesmo, berço destas experiências minimalistas, o governo está revendo ações e já discute a implementação de medidas como a criação do cargo de professor com dedicação exclusiva na educação básica, com tempo para planejar aulas, acompanhar alunos e se atualizar.
No plano girassóico, ações positivas como as voltadas à alfabetização de jovens e adultos, ficam obscurecidas, diante de fundamentos gerenciais tão equivocados, que veem o fazer educativo com os mesmos paradigmas de uma fábrica de sabão e culpabilizam o professor (“sem metas”, portanto, “ineficiente”) pelo fracasso escolar, salvando a pele de governantes descomprometidos.

Publicado no jornal Correio da Paraíba em 20/10/2011.

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