quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O renascer (e a luta) dos Tabajaras


Alhandra, 30 de novembro de 2011, 06 horas da manhã. Cerca de 200 homens da Polícia Militar, com forte aparato, ocuparam o assentamento da reforma agrária João Gomes, que fica na grande Mucatu, para cumprir ordem de despejo de três lotes ocupados por descendentes dos índios Tabajaras, emitida pelo Desembargador Joás de Brito Pereira Filho, de tradicional família paraibana.
O litoral sul, que nos anos 1970 e 1980 foi palco de grandes conflitos agrários, volta à tona com a tentativa de retomada de suas terras ancestrais por parte de descendentes da etnia Tabajara, que ocupava a região antes da chegada dos portugueses. Reivindicam área situada entre os municípios de Conde, Alhandra e Pitimbu, sob a liderança de um cacique chamado Araquém. Os tabajaras foram reconhecidos pela Fundação Nacional do Índio, mediante estudo antropológico que atesta sua condição, e agora lutam pela demarcação de seu território, com o apoio da Comissão Pastoral da Terra. Advogados dos índios querem transferir o caso para a Justiça Federal, alegando que a área está em nome do INCRA.
Mas, quais os obstáculos enfrentados pelos nossos índios para retomar as suas terras? Apesar de contarem com o apoio da maioria dos pequenos agricultores da região e parte da opinião pública, enfrentam interesses de grandes empresas que pretendem instalar um Pólo Cimenteiro por lá, além do poder local. O Governo do Estado age de forma dúbia na questão. Ao mesmo tempo em que apóia os índios com ações assistenciais, estimula de forma entusiástica o “pólo”. Chegou a promover inclusive um “Fórum” para discutir o projeto, chamando apenas os membros da cadeia produtiva cimenteira.
A ação dos Tabajaras tem o mesmo sentido que a do grupo de índios potiguaras que ocuparam recentemente três fazendas, em Rio Tinto, no litoral norte do estado. A população indígena expande sua luta por todo o Brasil em defesa de suas terras, roubadas ao longo de séculos, e por um novo padrão de desenvolvimento, sustentável, de conotação agro-ecológica. A população indígena cresce e quer seus direitos. Novas lideranças surgem nas aldeias e são formadas através dos movimentos sociais e das políticas de cotas nas universidades públicas. A luta dos povos indígenas está apenas começando. Novos “Araquéns” surgirão...

Publicado no jornal Correio da Paraíba em 01/12/2011.

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