quinta-feira, 12 de abril de 2012

Em defesa da UEPB


Surgida como a antiga Universidade Regional do Nordeste – URNE e estadualizada através da Lei nº 4.977, de 11 de outubro de 1987, sancionada pelo então governador Tarcísio Burity, a Universidade Estadual da Paraíba passou a ganhar nova dimensão, deixando de ser uma instituição apenas campinense para se tornar um patrimônio estadual.
Nas duas últimas duas décadas, a UEPB enfrentou desafios para a sua afirmação, com mobilizações sociais e greves históricas (a exemplo da famosa greve de fome na Praça João Pessoa), que chamaram a atenção de toda a sociedade paraibana para a necessidade de (apesar da onda privatizante que vitimou a CELB, o PARAIBAN e a SAELPA) mantê-la como um importante instrumento estatal à serviço do nosso desenvolvimento.
A UEPB cresceu, tornou-se uma instituição multicampi, com um orçamento anual de 284 milhões, possuíndo em torno de 1.200 professores, 800 técnicos e milhares de alunos. A sua importância reconhecida pela sociedade e a força da sua comunidade acadêmica permitiram que, nos últimos anos, conseguisse negociar com o governo mais recursos e condições de funcionamento, tendo como destaque a Lei 7.643/2004, que dispõe sobre sua autonomia financeira.
Sem mais nem menos (e após boatos que de que o governo pretendia pleitear sua federalização) e mesmo após reuniões realizadas no ano passado com a reitoria da instituição e sindicatos representativos das categorias indicando o contrário, o governo Ricardo Coutinho reduz o duódecimo transferido à UEPB e volta a concentrar seus recursos na conta do estado.
Depois de investir em um modelo de “terceirização”, fechar escolas, cortar direitos dos prestadores de serviço e implantar uma política produtivista para a educação básica, o governo Ricardo Coutinho parece querer limitar a autonomia da universidade estadual, no sentido de enquadrá-la dentro do modelo neoliberal-gerencial, aticulada em torno de um paradigma pedagógico tecnicista, que matiza sua política educacional.
O povo da Paraíba tem que se levantar em defesa da UEPB. Governos passam, mas a instituição pertence a todos os paraibanos. Universidade sem autonomia não é universidade. Com a palavra, nossas lideranças políticas, empresariais e movimentos sociais.

Publicado no Correio da Paraíba em 02/02/2012.

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