quinta-feira, 12 de abril de 2012

INTOLERÃNCIA RELIGIOSA NA PB


Em artigo no CORREIO no ano passado, escrevi sobre o perigo do fundamentalismo moderno, com sua devoção militante, ao reescrever páginas de ódio religioso em nossa história, coisa que o pensamento racional e moderno considerava coisa do passado. Quase um ano depois, nos deparamos com um caso paraibano de fundamentalismo que envolve uma denominação chamada “Assembléia de Deus Pentecostal da Fé”, cujo Pastor, Clóvis Bernardo de Lima, na internet, exibe como “destruição de obras malignas” fotos mostrando a aniquilação, a golpes de marreta, e o incêndio, de imagens católicas e do candomblé, sob seu comando. Divulgadas na rede social Facebook, as fotos provocaram a ira de muitas pessoas, descrentes de tão insana atitude.
O Pastor Clóvis, por sinal, havia sido personagem de comentado video produzido pelo cineasta paraibano Bertrand Lira, “O Rebeliado”. Ex-travesti, o citado sr. anuncia ter se “convertido” ao heterossexualismo ao, em suas palavras, “aceitar Jesus”. Cansado de sofrer violência e discriminação, ele passou a atacar violentamente e discriminar as outras religiões, inicialmente no Orkut e depois, abertamente na rede mundial de computadores, como pode ser visto no link .
Revoltadas com a pregação da intolerância por parte do beligerante sacerdote, lideranças ligadas aos cultos afro-brasileiros, perseguidos ao longo dos séculos em nosso país, denunciaram e acionaram-no por cometer crimes de prática e incitação à discriminação religiosa, em face da Lei n.º 7716/89, art. 20. Trata-se da “Lei do Crime Racial”, que regulamenta a punição dos crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB e o Comitê Nacional da Diversidade Religiosa – secção local também se manifestaram no caso.
A nossa Constituição, em seu artigo 5º define como inviolável a liberdade de crença, assegurando livre exercício dos cultos religiosos e garantindo proteção aos seus locais e as suas liturgias. Portanto, ninguém tem o direito de ofender a religião alheia. As autoridades responsáveis, como o MP, precisam garantir o direito de credo, de fato. Ao mesmo tempo, os ministros de fé devem se conscientizar de que, para defender suas convicções, não precisam exterminar as demais.

Publicado no Correio da Paraíba em 12/04/2012.

2 comentários:

  1. sera que se quebra só as pernas e os braços pode ser considerado intoletancia religiosa

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  2. todo mundo tem o direito de seguir sua religião,ele não tem a dele.

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