segunda-feira, 28 de maio de 2012

Universidades em Greve

Em assembléia realizada no último dia 17, os professores da Universidade Federal da Paraíba – UFPB decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. Anteriormente, a UFCG já havia tomado o mesmo rumo. Já pararam 43 universidades federais. A greve tem sido liderada pela Associação dos Docentes das Universidades Brasileiras, o ANDES. O PROIFES-Sindicato, que também representa a categoria, preferiu esperar o encerramento oficial das negociações, previsto para o dia 31, para se posicionar. Desde o ano passado, professores e governo estão envolvidos em difícil negociação quanto à carreira da categoria e, mais especificamente, às condições salariais. Depois de enfrentar anos de arrocho promovido por Collor e Fernando Henrique Cardoso (e que seguiu até o primeiro governo Lula), os docentes e o poder executivo acordaram melhoria na carreira durante o segundo mandato lulista, recuperando parte das perdas acumuladas, cujo acordo perdurou até julho de 2010. Aí, salários melhoraram um pouco para os doutores e menos para demais níveis da carreira. De agosto de 2010 até agora, após intensa negociação, os professores tiveram apenas 4% de reajuste, bem abaixo da inflação do período, ainda a ser pago. Outras categorias do serviço público federal tiveram, todavia, nas últimas décadas ampla valorização. Qualquer comparação da carreira docente com outras de ponta do poder executivo indica que os professores das federais estão ficando para trás, em termos de remuneração, enquanto que as cobranças de resultados aumentam de forma geométrica. Nos últimos anos, o governo federal ampliou significativamente o investimento nas universidades federais, cujas condições para o desenvolvimento do ensino, da pesquisa e da extensão tem melhorado a olhos vistos. Todavia, a valorização dos servidores docentes e técnico-administrativos não tem seguido a mesma proporção. O governo precisa definir com clareza o que quer fazer com os professores das universidades federais. O sentimento de desvalorização do trabalho, entre os profissionais do ensino, é notório nas conversas de corredores, na hora do cafezinho e nos debates sindicais. A consequência disso é que a profissão torna-se desestimulante. Investir em educação é investir fundamentalmente em pessoas. Superada a fase de sucateamento das universidades federais e retomado o seu processo de expansão, está na hora de investir em recursos humanos: em seus professores, nos seus técnico-administrativos e nos estudantes. São as pessoas (e não salas de aulas, pipetas e computadores) que induzem o desenvolvimento do país. Cobrar resultados e não valorizar o profissional é punir os agentes da educação. E o resultado disso é desastroso.