sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Aprendizagem Capenga

Em nosso último artigo analisamos os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB tomando como referência o mau desempenho da Paraíba no ensino médio, especialmente em virtude da queda da pontuação da rede estadual de ensino em 2011 em comparação com 2009. Hoje, pretendemos analisar a situação do ensino fundamental – EF 1. Entre 2005 e 2011 o IDEB das séries iniciais do EF 1elevou-se em nível nacional de 3,8 para nota 5,0, referindo-se ao desempenho das escolas públicas e privadas. Enquanto autoridades soltam fogos, dados do Movimento Todos Pela Educação - MPT indicam que, no último ano do Ciclo de Alfabetização (3o.ano), 46,7% das crianças não atingiram o desempenho esperado em escrita, número alto também no desenvolvimento em leitura (45,9%) e em matemática (67,2%). Na cidade de João Pessoa, o IDEB do EF 1 nas escolas públicas cresceu significativamente entre 2009 e 2011, passando de 4,0 para 4,6, colocando nossa capital na segunda colocação entre as capitais do nordeste, perdendo apenas para Teresina/PI. Muitas outras cidades também melhoraram nesse aspecto, significando um esforço da maioria dos municípios. Por isso, o crescimento em nível nacional nesta etapa de ensino. Há escolas na rede municipal de ensino da capital com alto desempenho e outras com desempenho baixo. Isto reflete a ação de diversos fatores que vão desde a estrutura da escola, passando pelo modelo de gestão, pela qualificação dos professores, pelo projeto pedagógico e pelo “background” (contexto social e familiar) dos alunos. Deixando de lado o fator IDEB e retomando o fator aprendizagem, percebemos que os últimos dados disponibilizados pelo MPT referentes aos municípios de João Pessoa e Campina Grande indicam que, a três anos atrás, apenas 29,1% dos estudantes do 5o ano tinham obtidos conhecimentos adequados para a sua série em português, em João Pessoa, e 22,8% em Campina Grande. Já em matemática o percentual era de apenas 23,2% na capital. Em Campina Grande, era de 20,8%. Quanto à Paraíba, chegou a 23,1% em português e 19,6% em matemática. Considero que candidatos a prefeito de nossas cidades, nos debates e em sua propaganda, devem se focar não nos aspectos apenas quantitativos (apresentando números descontextualizados), mas nos aspectos qualitativos da educação, propondo ações que viabilizem uma aprendizagem efetiva e significativa pois, em educação, é o que de fato importa. Publicado no jornal Correio da Paraíba em 31/08/2012.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Marcha a Ré

Caiu como uma bomba a divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB de 2011 que mostra uma involução em termos de desempenho escolar dos estudantes do ensino médio paraibano, especialmente da rede estadual de ensino. Embora deva ser relativizado como critério para se medir a aprendizagem efetiva, o índice é importante para se acompanhar aspectos do desempenho das redes e escolas. A evolução dos alunos do ensino médio paraibano foi de – 0,1 em relação a 2009. Naquele ano, o Ideb da Paraíba era 3,4, já ficando entre os mais baixos do país. Agora é de 3,3. Já entre as escolas de ensino médio da rede estadual a nota caiu de 3,0 em 2009 para 2,9 em 2011. Enquanto o ensino médio da rede estadual da Paraíba caiu, em todo o Brasil o IDEB desta fase subiu 0,1, passando de 3,6 para 3,7. Em nível nacional, as notas do ensino fundamental melhoraram. Já o ensino médio parece estar estagnado. No caso da rede estadual, houve uma evolução entre 2005 e 2009, quebrada em 2011. Em 2005, a nota foi de 2,6, subindo para 2,9 em 2007 e 3,0 em 2009, com queda para 2,9 em 2011. Em 2007 e 2009, a Paraíba chegou a superar metas estabelecidas. O que terá ocorrido para que tal tendência fosse revertida? São diversos os fatores que geram a chamada “crise do ensino médio” que vão desde a sobrecarga curricular, falta de professores em áreas estratégicas e precária estrutura da maioria das escolas. Todavia, fatores locais influenciaram para que a Paraíba ficasse para trás. Em 2009, por decisão da Justiça, a Paraíba trocou de governador, desmontando a sequência de ações que vinham em andamento, em consonância com o MEC. Em 2011, isto ocorreu novamente e de forma mais grave, com a posse de Ricardo Coutinho em janeiro de 2011 demitindo milhares de servidores, fechando escolas abruptamente, brigando com os professores e nomeando três diferentes secretários de educação em curto período. Mais instabilidade do que isso, impossível. A falta de financiamento adequado e de uma política educacional que extrapole os diferentes governos são alguns dos problemas que estão na raiz de nosso ensino médio estar dando “marcha a ré”.