quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Marcha a Ré

Caiu como uma bomba a divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB de 2011 que mostra uma involução em termos de desempenho escolar dos estudantes do ensino médio paraibano, especialmente da rede estadual de ensino. Embora deva ser relativizado como critério para se medir a aprendizagem efetiva, o índice é importante para se acompanhar aspectos do desempenho das redes e escolas. A evolução dos alunos do ensino médio paraibano foi de – 0,1 em relação a 2009. Naquele ano, o Ideb da Paraíba era 3,4, já ficando entre os mais baixos do país. Agora é de 3,3. Já entre as escolas de ensino médio da rede estadual a nota caiu de 3,0 em 2009 para 2,9 em 2011. Enquanto o ensino médio da rede estadual da Paraíba caiu, em todo o Brasil o IDEB desta fase subiu 0,1, passando de 3,6 para 3,7. Em nível nacional, as notas do ensino fundamental melhoraram. Já o ensino médio parece estar estagnado. No caso da rede estadual, houve uma evolução entre 2005 e 2009, quebrada em 2011. Em 2005, a nota foi de 2,6, subindo para 2,9 em 2007 e 3,0 em 2009, com queda para 2,9 em 2011. Em 2007 e 2009, a Paraíba chegou a superar metas estabelecidas. O que terá ocorrido para que tal tendência fosse revertida? São diversos os fatores que geram a chamada “crise do ensino médio” que vão desde a sobrecarga curricular, falta de professores em áreas estratégicas e precária estrutura da maioria das escolas. Todavia, fatores locais influenciaram para que a Paraíba ficasse para trás. Em 2009, por decisão da Justiça, a Paraíba trocou de governador, desmontando a sequência de ações que vinham em andamento, em consonância com o MEC. Em 2011, isto ocorreu novamente e de forma mais grave, com a posse de Ricardo Coutinho em janeiro de 2011 demitindo milhares de servidores, fechando escolas abruptamente, brigando com os professores e nomeando três diferentes secretários de educação em curto período. Mais instabilidade do que isso, impossível. A falta de financiamento adequado e de uma política educacional que extrapole os diferentes governos são alguns dos problemas que estão na raiz de nosso ensino médio estar dando “marcha a ré”.

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