quinta-feira, 21 de novembro de 2013

E os financiadores?

A maior parte da opinião pública brasileira aplaudiu a ação do Supremo Tribunal Federal – STF de decretar a prisão dos condenados (ainda que o julgamento não tenha terminado) na Ação Penal 470, que ficou conhecida como escândalo do “mensalão”, embora a existência deste (segundo o delator do caso, ex-deputado Roberto Jéferson, uma “mesada” para deputados apoiarem o governo Lula) ainda esteja por se provar. De fato verificou-se a prática do chamado “caixa dois”, prática tão antiga na política tupiniquim e que, pelo andar dos debates sobre a reforma política no Congresso Nacional, deverá continuar acontecendo, pois há uma rejeição por parte de quem faz as leis no país (com apoio da grande mídia) em mexer especialmente nas regras de financiamento eleitoral. No nosso sistema atual, os pobres votam mas, em muitos casos, os ricos é que elegem, pois financiam as campanhas. Se nos determos aos últimos vinte e um anos podemos citar as “sobras de campanha” do ex-presidente Collor, a aprovação da emenda constitucional que permitiu a reeleição de FHC, o “mensalão” do PSDB mineiro, o escândalo das privatizações tucanas e o “mensalão” do DEM como antecessores e contemporâneos do escândalo atualmente em evidência. Em termos monetários, o caso do metrô em São Paulo, secundário na grande mídia, abarca muitos “mensalões”. Dois fatos merecem destaque na análise comum destes escândalos: a prática generalizada do “caixa dois” e segundo, a exclusão das listas de acusados publicamente da figura do financiador, ou seja, do grande empresário que bota dinheiro nas campanhas eleitorais. Lembremos que um dos paladinos da honestidade no STF, ministro Gilmar Mendes, concedeu dois “habeas-corpus” em menos de 48 horas para que o banqueiro Daniel Dantas (cujo assessor foi filmado tentando corromper um delegado federal e é um conhecido financiador de campanhas) não fosse preso. Se de fato a sanha justiceira do STF restringir-se ao PT, nosso judiciário se apequenará e se consolidará a versão do “julgamento político”. Se nosso moralismo atual for às ultimas consequências, caberá investigar e punir os envolvidos na maioria destes casos, indo além dos ataques aos políticos e chegando aos verdadeiros responsáveis pelo status quo: os “peixes graúdos”, grandes empresários que financiam campanhas em troca de benefícios posteriores, da era Collor aos tempos atuais, e que nunca aparecem nas manchetes dos noticiários. E não esqueçamos da reforma política! Publicado no Correio da Paraíba de 21/11/2013.