sábado, 4 de abril de 2015

O Brasil e seus impasses

A bi-polaridade extremista que predomina no Brasil de hoje é reveladora do nível de impasse predominante no cenário político e social. Em 2003, os brasileiros elegeram Lula e o PT para por fim ao modelo neoliberal que fazia o Brasil funcionar bem para, no máximo, 30% de seu povo (um Brasil privatizado) e mal para o restante. A troca de governo apontava para uma inversão de prioridades. É evidente que muitos avanços ocorreram nos últimos anos (mais oportunidades, menos pobreza, mais mobilidade social) mas os grandes impasses de nosso país permanecem. A democracia prescinde de pluralidade, bem-estar e esperança, é o que demonstra a realidade dos países que adotaram o “Welfare State”, um arranjo de classes no qual a burguesia faz concessões e o proletariado abre mão da revolução em troca de direitos sociais e econômicos. Neste caso, conquistas como um sistema de saúde, gratuito e universal são aceitas por toda a sociedade e são financiadas por um sistema de impostos em que os mais ricos, em última instância, pagam a conta mais pesada. Este é o modelo de países como a Suécia, França, o Canadá e a Inglaterra. Mesmo grupos liberais não questionam o fato do Estado assegurar saúde e educação gratuitas e universais e um sistema de aposentadorias e benefícios, embora haja movimentos para restringi-los. Gente pobre e de classe média frequenta as mesmas escolas e postos de saúde. No Brasil a vida do povo melhorou mas não avançamos definitivamente para um Estado Social, conforme define Thomaz Piketty em “O Capital do Século XXI”. Forças comprometidas com a maioria ganham eleições desde 2002 mas não conseguem impor uma reforma do Estado. As causas podem ser encontradas no extremo conservadorismo de nossas elites, no cambaleante sistema político e na estratégia do PT em 2002 de priorizar a governabilidade em detrimento de mudanças profundas. Dos fatores a perpetuar nossos impasses dois devem ser destacados: o controle da política por grandes interesses empresariais e a falta de pluralidade na grande mídia. Não há como construir um projeto de nação sem a realização de reformas democratizantes e redistributivas.

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